Notícias sobre educação

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A ferradura, o casco e os sapatos: uma reflexão do ensino da língua

Betto Ferreira

Sabe por que o cavaleiro coloca a ferradura no casco do cavalo? Para preservá-lo diante do duro asfalto ou da estrada de pedra moldada. É o que fazemos também com nossos pés: os protegemos com sapatos ou chinelos para não machucá-los na aspereza asfática. Mas do que cavalo gosta mesmo é de sair por aí correndo livremente, sentido a maciez da relva e a textura da terra, a relinchar feliz, ao gosto da liberdade, com todo risco que a natureza lhe reserva. Caso tropece e caia, a naturalidade do tombo não deixará marcas, certamente: todo tropeço é natural.  É assim com a língua. Nós, os cavaleiros, temos de protegê-la com uma ferradura: as normas (gramática). Principalmente quando o caminho é de asfalto formal e cheio de marcas que regram o fluxo. Precisamos usar a língua com  cuidado para não ferirmos o casco do cavalo, senão cavalos sem ferraduras seremos para muitos. O não uso da ferradura, é sinal de constrangimento, de envegonhamento alheio, por estamos pondo em risco os próprios pés (a língua).  O problema é que, assim como cavalos, a gente gosta também é de correr pela relva, pisar na areia, molhar-se na água. Mas tudo isso não cai bem se estamos de sapato-ferradura. Sapatos só é bom para pisar no asfalto, na pedra moldada. Fora disso, o lugar  dos sapatos é a sapateira, num canto escondido da casa. Mas também é bom saber que eles estão bem ali armazenados na sapateira. Porque quando a gente precisar ir para o asfalto novamnete, a gente vai e escolhe um sapato que nos caiba nos pés para melhor caminharmos, sabedores de onde estamos pisando - ainda que doidos de vontade para chegamos ao fim do asfalto. Então é assim: o cavaleiro protege o casco do cavalo da aspereza do asfalto com a ferradura. Mas na relva, na grama, na areia leve, o liberta da ferradura porque tem coisas que não é agradável para o bicho fazer com ferro no casco. A gente também protege os pés com o sapato quando estamos no asfalto, e isso é bom. Mas tem coisas que é mais apropiado para nós de fazer sem sapatos. Daí a gente vai e os tiras dos pés para fazer melhor. As normas da lingua  devem ser vistas como  uma referência, uma proteção, uma espécie de preservação da língua, como a ferradura para o casco e os sapatos para os pés, mas nunca como uso para sempre recomendado. Ás vezes, precisamos nos livrar dos sapatos, assim como o cavalo precisa se livrar da ferradura. A língua é como o casco e os pés da comunicação, e tem de ser usada por nós conforme o terreno em que pisamos (o contexto, a situação, a função ). Quando alguém se meter a afirmar que o que foi dito, foi dito de forma errada, talvez esste alguém esteja usando a ferradura ou o sapato da foramalidade, com a qual não se pode sentir a verdadeira textura do dito: onde, quando, como, para quem, para quê. O sapato-ferradura da formalidade, às vezes, mais machuca do que o trpeço da naturalidade. E fora do natural, sem ferradura-sapato, a dor do preconceito é irremediável. Por isso,  em se tratando de liguagem, o melhor a fazermos é ilustramos bem os sapatos, cuidarmos bem da ferradura do cavalo para o caso de serem necessários usá-los. Senão, o melhor é andar descalço mesmo ou deixarmos que o cavalo nos leve, sem ferraduras a impedi-lo, pelos diversos caminhos que a língua nos oferece.

sábado, 10 de setembro de 2011

PROFESSORES INÚTEIS E SEM AMOR: FUI UM DELES

Betto Ferreira

Pensei que alguns velhos chavões que colocam a profissão de professor como sacerdócio ou como algo irrelevante para a sociedade fossem coisa do passado. Mas não é que recentemente tornei a ouvi-los de novo. E por pessoas que deveriam, pela função que exercem, ser mais cuidadosas a fim de que o que diz não vire rotina e/ou preconceito. "Os professores são inúteis, só reclamam", dito por um nobre vereador do interior de São Paulo. "Os professores deveriam ensinar por amor e não por dinheiro", dito pelo govenador do Ceará. O primeiro afirmou sua verdade através de uma págima de rlacionamneto da internet, usando como argumentos as queixas dos alunos e pais de que os professores não vão à escola e quando vão não dão aula. A verdade do outro foi dito à imprensa mesmo, com todo o poder que o cargo de governador lhe confere, diante das reivindicações dos professores estaduais do Ceará, em greve, por melhores salários e condições de trabalho. Ao ouvir isso, pensei: como fui cruel com o meu País, sobretudo com a cidade onde resido, São Paulo, por ter recebido do povo uns míseros reais para dar aulas por durante doze longos anos e naõ ter ensinado nada. (ao menos para boa parte dos alunos). Não deveria ter aceito a boa gentiliza do governo e ter ido todos os dias exercer a minha função por amor às crianças e adolescentes do meu País. Por que fui egoísta ao pensar também na minha família!. Ora, se eu escolhi essa função, o problema foi meu. Não devia receber nada por querer ser professor. Porque não foi ser jogador de futebol. Um juiz, talvez. Quem sabe até um bom pedreiro (o último que foi fazer um pequeno reboco no muro da minha casa cobrou R$ 600 por dois dias tde trabalho). Mas jamais professor. Professor não pode cobrar da sociedade dinheiro para ensinar as crianças e  adolescentes. Em especial quando se trata de professor da rede pública, porque o salário pago vem do suor do povo. Se o professor pretende ensinar a crinaças e adolescentes das classes mais abastadas, nas chamdas escolas privadas, aí talvez abra-se um excessão e ele ganhe uns bons trocados que lhe permita colocar seu filho também numa escola privada. Ainda que possua o mesmo knowhow ou mais daquele outro, é ousadia demais do professor da escola pública exigir tal reconhecimento, porque o dinheiro que lhe paga o exercício de inutilidade vem do povo. Porfessor não pode ser pago para ensinar. Eu acho que Rubem Alves tem razão quando se faz entender em suas crônicas sobre educação que os professores são os "urubus" e o que ensinam não servem para nada. Acho que vem daí a justificativa de que nada recebam pelo que faz. Outro dia, depois de ter ouvido os chavões acima, eu não acreditei que um ex-aluno meu pudesse postar em minha caixa de e-mail a seguinte frase: "Olá, professor, tá lembrado de mim, sou fulano de tal, seu ex-aluno, quero lhe agradecer por sua inssitência em querer me ensinar português e pedir desculpas por eu achar que aquilo era inútil". "Desculpe-me pela insistência", eu respondi.

sábado, 4 de junho de 2011

"POR UMA VIDA MELHOR", O ERRADO É QUESTÃO DE PONTO DE VISTA


Betto Ferreita
Capa de Por uma vida melhor (Editora Global)
Primeiro, foi um livro de história que trazia um capítulo sobre Che Guevara. Recentemente, foi o livro de Monteiro Lobato. Teve ainda o chamado “kit gay”. Agora, o problema é o livro Por uma vida melhor. Estão dizendo que ele ensina o menino a falar errado. Fui ler o livro. Descobri que o problema estava no capítulo que trata da variedade popular da língua. O capítulo não ensina a falar “errado”, mas a pensar a Língua como algo vivo e dinâmico, como algo que varia sem perder a sua essência que a comunicação entre os falantes da língua, como e por que nos fazemos entender com ela. Muitos meninos e meninas se perguntam por que se deve falar “assim ou assado” para querer dizer determinada “coisa”. A escola não pode, não deve, privar o aluno desta curiosidade. Seria uma espécie de ditadura do conhecimento. Mais ou menos assim: “você deve falar/escrever assim porque é assim que se escreve e pronto”. E, aí, cadê a liberdade de pensar, de questionar, de inferir? 
Como professor, eu sempre procurei instituir em minhas aulas de Português um pouco da teoria lingüística que aprendi. E olha que eu sempre tive sucesso junto àqueles jovens alunos que têm vontade de discutir as “coisas” do mundo. Aprenderam comigo que o modo de falar que se usa no dia a dia serve à comunicação, mas que o modo de falar chamado padrão, o determinado pela gramática normativa, que eu os fiz conhecer na escola (porque é na escola que se estuda isso, em qualquer país do mundo) também serve, e muito.  E eles aprenderam direitinho. E com uma vantagem: se tornaram mais conhecedores da sua própria língua e menos preconceituosos com eles mesmos e com os outros. Nos primeiros dias de aula, eu costumava ouvir de certos alunos: “Eu não sei falar português”. No final, ouvia os alunos dizerem:”Eu não sabia falar a norma padrão, que não é a única forma de usar a língua, mas agora sei também”. E nem por isso saíram a escrever a uso popular da língua em redações formais, como exames e concursos. A proposta é maravilhosa (pena que é só um capítulo), só quem não conhece o valioso estudo linguístico ao longo dos anos é que se precipita em dizer bobagens. O futebol profissional tem suas regras, mas isso não impede de no dia a dia ser jogado com a mesmo emoção e a mesma importância por um grupo de amigos, na rua, na praia, na várzea. Agora, se uma pessoa quiser jogá-lo profissionalmente, ela terá que conhecer as normas do jogo, oficialmente falando, e praticá-las, em que pese o fato de que algumas regras do jogo sejam muito chatas, deixa-o muito aborrecedor: não poder fazer firulas com a bola, não poder tirar a camisa ao comemorar um gol, não poder dar uma paradinha ao cobrar um pênalti – no futebol profissional não há mais poesia. Assim é a língua. Sem o modo popular (que é mais natural), por exemplo, não haveria a poesia falada e cantada. 
Quem estaria errado hoje com relação ao uso do verbo TER com valor de HAVER em situações como esta: “Tem pessoas que…”, “Tem uma coisa que…”, “Tem duas TVs lá em casa”. O verbo TER , conforme a regra padrão, não pode ser usado com valor de HAVER em casos como estes. No entanto, a maioria absoluta dos brasileiros, seja letrados ou não letrados, escolarizados ou não escolarizados, alfabetizados ou não alfabetizados, usam-no assim. Quem está errado: a norma ou os usuários da língua? Gente, o livro é muito bom e segue um princípio democrático no ensino da língua. Agora, como qualquer outra ferramenta de ensino precisa de alguém que saiba usá-lo; senão não terá efeito positivo, assim como acontece com qualquer outra ferramenta feita para serem usadas com boas intenções. Exemplo: a faca foi criada para facilitar a nossa vida, mas foi usada por muitos para ferir também.Quando eu era criança, me fizeram acreditar que o mundo só ia até onde os meus olhos viam. Um pouquinho depois, caminhando, descobri que na verdade tudo era uma questão de ponto de vista.

domingo, 6 de março de 2011

Demitido, prof. Betto não é mais professor da Rede Pública Estadual de Ensino de SP

Foto arquivo: profesores na av. Paulista, SP, pela melhoria no ensino
O professor Betto Ferreira não é mais integrante do quadro do magistério do Estado de São Paulo. Expliquemos: em 2007, a pedido da direção da escola estadual prof. dr.Laerte Ramos de Carvalho,  na zona sul de São Paulo, e acolhido pela Supervisão de Ensino da região, foi aberto um processo por atos indisciplinares contra o professor. 
Entre as acusações: proferir palavrões em sala de aula, desrespeitar as convicções político-religiosas dos alunos, defender o presidente Lula e o PT e se negar a explicar de forma a contento a matéria em sala de aula. O processo foi suspenso no ano seguinte, após averiguações preliminares, e reaberto no final de 2009, pelos mesmos motivos. Até então, o professor Betto de nada sabia.
Em 2010, logo nos primeiros dias letivos, ainda alheio à situação, o professor foi avisado de que, a partir daquele dia (era 24 de fevereiro), ele estava afastado das atividades do magistério e da escola na qual ensinou por dez anos, tendo que comparecer à Delegacia da Região (Sul-3) para executar serviços puramente burocráticos. É que, também sem que o professor soubesse, o processo havia chegado à Coordenadoria de Procedimentos Disciplinares do Governo do Estado (CPD). 
O professor, que pensava poder se defender em fórum adequado e imparcial, foi o primeiro a ser convocado pela promotoria da CPD para respnder às acusações. Depois, foram ouvidas as testemunhas de acusação (a diretora da escola, a coordenadora, uma ex-supervisora de ensino, 2007, e duas alunas) e, finalmente, as testemunhas de defesa do professor (duas professoras, uma delas havia sido vice-diretora em 2008, e três alunos). Detalhe: ao serem quetionadas pela promotora da CPD, as duas alunas -estemunha de acusação não confirmaram os chamados ilícitos atribuídoas ao professor. Diseram que "ouviram falar".
No último dia 18 de janeiro, na Imprensa Oficial, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo fez publicar uma Resolução  com a decisão do Secretário de Educação do Estado de São Paulo sobre o caso: tomando por base o relatóriao final da promotoria da CPD e o Parecer da Consultoria Jrurídica da Pasta, o professor Betto foi punido com a pena de demissão.
É, o professor pensou que pudesse ser ouvido em fórum imparcial. Mas de nada valeram seus argumentos, suas declarações: 11 anos de dedicaçção exclusiva, numa única escola, curso de línguas, cursos de apefreiçoamento, (inclusive junto à Delegacia de Ensino) especialização, promoção e participação em eventos da escola (ida à excussões, teatros, estação ciência, viagens) da Delegacia de Ensino e da Secretaria de Cultura, como o Projeto Adhemar Guerrade Teatro em 2002,  e Mestrado. (de 2006 a 2008) .Também não foram levados em conta as declarações contrárias às acusações das testemunhas de defesa. 
Mas, segundo o professor, apesar da "visão de fora" dos julgadores do Governo, o testemunho de seus alunos e das profesoras perante à promotoria - além das várias manifestações de apoio de colegas , alunos outros e ex-alunos que recebeu - lhe deram a certeza do dever cumprido. Embora reconheça que muito ainda pudesse fazer, o professor Betto se diz convicto de  que contribuiu muito, de forma positiva, para avida de muitos garotos e garotas. "Já fui muito constrangido dentro e fora da escola, mas jamais me permiti fazer o mesmo, ou deixar alguém fazer, com algum de meus alunos", afirma o professor.
O professor acha injusto que tenha sido o responsável pelo processo de declínio pelo qual a escola vinha passando nos últimos anos. Mas acredita que, um dia, quando a educação escolar for levado a sério de fato, tanto por governos como pela sociedade em geral, as coisas tenderão a melhorar. "Não pode ficar pior do que está", acredita o professor, que diz está se virando com a saudade.

domingo, 17 de maio de 2009

REVISTA DO BRASIL DENUNCIA PROBLEMAS E ESCÂNDALOS NA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO

Capa da edição de nº 34
da Revista do Brasil


Resultados recentes de métodos que avaliam a educação no Brasil, como o Enem, mostram que em São Paulo a situação é lastimável, principalmente por ser este o estado mais rico da federação. Em sua edição nº 34 (abril/2009), a Revista do Brasil revela duas facetas do governo paulista que podem explicar o mal rendimento escolar dos alunos no estado.

Com o título “Professores à deriva”, a reportagem, assinada por Thiago Domenici, revela a deprimente situação dos professores Admitidos em Caráter Temporário, os chamados ACTs, verdadeiros “nômades” da educação que, conforme levantou a resvista, deveriam ser chamados apenas em caráter emergencial. De acrodo com Maria Isabel de Almeida, doutora em didática pela USP, citada na reportagem, a função se tornou permanente porque a vulnerabilidade desses profissionais atende melhor aos interesses do sistema educacional. A revista revela que o estado tem em torno de 230 mil educadores, dos quais, 100 mil são ACTs. Estes, por não terem vínculo com o governo, também não têm os mesmos direitos dos efetivos, como férias remuneradas e incorporações das gratificações. E todo ano, recomeçam do zero.

ACORDOS MILIONÁRIOS: Outro ponto é a denúncia dos milionários contratos envolvendo o governo do estado o os poderosos grupos Globo e Abril. A reportagem informa que os principais produtos adquiridos da Abril pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão ligado à Secretaria Estadual da Educação, incluem as revistas Recreio e Nova Escola e o Guia do Estudante-Atualidades vestibular. Só no Ano passado, segundo apurou a revista, os custos dos pedidos giraram em torno de R$ 11,5 milhões. Já para a Fundação Roberto Marinho, da Globo, segundo informa a reportagem, o governo do estado pagou em 2008 R$ 30 milhões com publicações do Projeto Telecurso Tec do Centro Paula Souza, autarquia que administra as Escolas Técnicas (Etecs) e faculdades de tecnologias do estado.

Confira matéria completa no portal Rede Brasil Atual.